A capital amazonense, Manaus, enfrenta uma grave crise de qualidade do ar, com a população respirando fumaça densa há aproximadamente duas semanas. Nesta quinta-feira (24/9), a situação se manteve crítica, levando a Prefeitura de Manaus a declarar estado de atenção. Na véspera, a cidade figurou como a segunda com pior qualidade do ar entre os municípios brasileiros.
Dados coletados pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), revelam que os níveis de partículas finas (MP2,5) superaram drasticamente os limites de segurança. A escala do Selva considera níveis acima de 125 µg/m³ como “péssimo”, mas os registros em Manaus ultrapassaram consideravelmente essa marca.
Na quarta-feira (23/9), a média diária de concentração de MP2,5 na capital foi de 188,5 µg/m³. Diversos pontos da cidade registraram picos alarmantes, como 147,9 µg/m³, 165,4 µg/m³, 132 µg/m³, 144 µg/m³, 131,7 µg/m³ e 150,2 µg/m³. Em medições pontuais, os sensores do Selva chegaram a assustadoras marcas isoladas de 291 µg/m³.
A poluição afetou intensamente diferentes áreas da cidade. O Distrito Industrial I foi o mais atingido, com um pico extremo de 587,9 µg/m³. Outros bairros também sofreram com altos índices, como o Morro da Liberdade, que registrou 437,4 µg/m³, e as zonas do Parque 10, Compensa e Tarumã, cujos índices ultrapassaram os 200 µg/m³.
A Prefeitura de Manaus atribui a densa fumaça a queimadas que se alastram por diversas regiões da Amazônia, com foco especial nos municípios vizinhos à capital e na calha leste do estado. O cenário é um reflexo direto do aumento acentuado de incêndios florestais na região.
Estatísticas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram um aumento alarmante: entre 1º e 22 de setembro, o Amazonas registrou 3.240 focos de queimadas. Esse número representa um crescimento expressivo de 244% em comparação ao mesmo período de 2025, evidenciando a gravidade da crise ambiental em curso.
