O perfil do eleitor brasileiro está mudando. Um estudo aponta que o eleitorado está cada vez mais maduro, com um crescimento notável na faixa etária acima dos 60 anos. Este fenômeno reflete o próprio envelhecimento da população do país e traz novas dinâmicas para o cenário político.
Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a tendência de envelhecimento do eleitorado se intensifica. Em 2026, as faixas etárias adultas concentrarão a maior parte dos votantes, com um aumento expressivo entre os mais velhos. As pessoas com 60 anos ou mais, que já somam 37,45 milhões de indivíduos, representarão 23,6% do total de eleitores aptos a votar. Este grupo teve um acréscimo de 4,56 milhões de pessoas desde as eleições de 2022.
Em contrapartida, a faixa etária entre 21 e 34 anos observou uma redução no número de eleitores, caindo de 43,8 milhões em 2022 para 41,037 milhões em 2026. Uma queda semelhante foi registrada entre os jovens de 18 anos ou menos, onde o voto é facultativo. Para o cientista político Carlos Oliveira, o engajamento desses eleitores mais jovens geralmente está atrelado à influência do círculo familiar e social.
O voto facultativo também mobiliza eleitores com mais de 70 anos. Oliveira explica que o interesse político prévio e a convivência com familiares engajados, como netos e bisnetos, podem ser fatores determinantes para a participação desses cidadãos na democracia através do voto.
Outro dado relevante destacado por Carlos Oliveira é a participação feminina. Embora as mulheres representem 52,8% do eleitorado, sua presença ainda é minoritária entre candidatos e eleitos. O especialista aponta que, apesar dos avanços legislativos, a ampliação da participação feminina na política depende de uma conscientização social mais ampla, considerando as responsabilidades domésticas que ainda recaem desproporcionalmente sobre elas.
Oliveira ressalta a importância de o eleitor brasileiro desenvolver uma maior percepção sobre a relação entre os eleitos e as políticas públicas. Ele defende que a política é fundamental e que o voto deve considerar o bem coletivo e o impacto a longo prazo, e não apenas o benefício imediato. A desistência do voto, segundo ele, seria abrir mão de um direito conquistado após muita luta por grande parte da população.
Nas eleições de 2026, os brasileiros escolherão presidente, governadores, senadores e representantes para as assembleias legislativas e para a Câmara dos Deputados.

