A instalação artística “O Barco”, da artista portuguesa Grada Kilomba, chega ao Sesc Pompeia, em São Paulo, para expor as cicatrizes deixadas pelo tráfico transatlântico de africanos escravizados. A obra, que já esteve em cartaz em Lisboa, Londres e no Instituto Inhotim, aborda o que as Nações Unidas definem como o crime mais grave contra a humanidade.
Durante quatro séculos, milhões de africanos foram brutalmente sequestrados e vendidos como mercadorias, sendo o Brasil o principal destino dessa tragédia. Mais de 4,8 milhões de pessoas atravessaram o Atlântico em condições desumanas nos chamados navios negreiros para serem submetidas ao trabalho forçado.
A obra de Kilomba convida à reflexão sobre o que o fundo do oceano revelaria se fosse esvaziado. “O Barco” desvela a arquitetura sombria dos porões dos navios negreiros, contrastando com a narrativa glorificada de descobrimento e expansão presente em monumentos históricos. A artista questiona a

